domingo, 31 de dezembro de 2017

Vidas Aparentes

Via Google Images
Ouvi-lo falar daquela forma tão descontraída deixou-me quase em choque, apesar de, claro, não ter manifestado o mínimo repúdio. Acho que socialmente não é bem aceite recriminar as façanhas sexuais clandestinas de outros homens, ainda por cima daqueles que mal conhecemos. Fiquei em choque, se calhar porque, quase sempre, a realidade é muito pior do que a possamos pintar. Afinal, trai-se uma e outra vez, todas as vezes que se conseguir, com mais facilidade com a que nós nos levantamos todos os dias da cama para mais um dia de trabalho. Enquanto ele falava eu ia pensando se hoje em dia é isto, esta a podridão dos casamentos e das relações das pessoas. Afinal é para isto que as pessoas tanto querem casar e ter filhos? Para depois se andarem a vangloriar aos outros que, podendo, limpam tudo que mexa, a torto e a direito, e até pagam se for preciso, porque até acreditam que uma profissional faz sempre um melhor trabalho que uma amadora.

O choque foi tanto que me questionei do porquê de eu querer ser sempre tão honesto, tão coerente e tão leal com os outros. Que é que ganha uma pessoa assim na vida? Nada. Absolutamente nada. Só se prejudica constantemente. Porquê? Porque na selva, se não jogamos com as armas dos outros estamos sempre em desvantagem. Em tudo. Temos sempre de fazer um esforço suplementar para nos conseguirmos impor. E ainda por cima porque ser íntegro não é nada sexy. As mulheres ficam molhadas é com os homens de mau caráter e com as falinhas mansas que toda a gente já está a ver que são uma cambada de balelas só para as levarem para a cama e só elas é que não vêem.

Mais tarde até me pus a pensar se há muitos anos não terei sido trocado por aquela espécie de homem de Neandertal. Será? E seria mesmo muito irónico até, se eu tivesse estado ao lado dele agora. Eu tive que a obrigar a dizer-me quem ele era. Ela não queria dizer e para mim também não era assim tão óbvio, afinal, nós andávamos sempre juntos para todo o lado. De onde é que, do nada, ela se tinha apaixonado por outro? Onde é que ele estava escondido que eu não vi? E esqueçam a internet, por isso, não era assim tão óbvio para mim. Mas no mínimo acho que merecia saber. No mínimo. E por obrigar leia-se persuadir a, e não propriamente apertar-lhe o gasganete até ela me confessar.

Quando alguém decide trocar-nos, bom, nós achamos sempre que será por alguém melhor que nós. Como quem troca de carro por outro mais moderno, mais potente, ou para uma casa com mais assoalhadas. Mas afinal de contas o que é um namorado melhor? É que os namorados também são como os melões. Só depois de abertos é que as mulheres podem saber como é que eles são. E tal como dizia a Céline "tu nunca podes substituir ninguém, porque cada pessoa é única e feita de lindíssimas especificidades". Ou seja, nunca se troca totalmente para melhor ou para pior, troca-se necessariamente para diferente porque não há duas pessoas iguais. Ninguém é totalmente melhor ou pior que outrem. E alguma coisa eu haveria de ter de bom... Alguma coisa de absolutamente tão belo e específico que, tendo-me afastado da sua vida, ela nunca mais voltaria a ter. E eu conheço muito bem as minhas especificidades únicas. Nem precisava sequer que ela mo confirmasse, da falta que já lhe faziam.

Claro que há muitos anos que isto não interessa para nada, além de fazer parte das nossas memórias. Cada pessoa faz as suas escolhas e tem de viver com elas, e, já agora, também nós temos de viver com as escolhas dos outros. Mas fiquei a pensar. Eu fiquei com uns esboços verbais que ela foi desenhando do perfil dele. E sinceramente estava à espera de melhor. Uma mulher, por norma, comete o erro de avaliar a sua concorrência unicamente pelo aspeto exterior das rivais. Mas uma pessoa vale muito mais (ou menos) que a sorte de ter nascido mais ou menos bonita aos olhos dos outros. E como eu nunca sequer conheci a tal criatura, fui absorvendo, sem distrações, o perfil consoante ia ouvindo, com as orelhas espetadas,  um comentário aqui outro acolá. Daí a surpresa quando finalmente se revelou o nome daquele que me iria substituir. E para mim foi uma tremenda desilusão. Esperava  mesmo muito melhor. Ou então eu sempre me tive em melhor conta do que na realidade sou.

E de repente, tantos anos depois, eu podia estar agora ao lado dele. Acho que o perfil até se encaixava bem. E depois as mulheres acham sempre que conseguem mudar os homens. Acham sempre que com elas será diferente do que eles foram com as outras. Tão ingénuas! Mas quão irónico não seria, estar agora, sentado no carro dele, passando horas a fio a ouvi-lo contar como te enfia os cornos?
E sabes, de repente a palavra "Amor" aparece na consola do carro dele e toca o telefone. Sabes quem era? Vê lá que podias ser tu! Preocupada! E não é adorável o cinismo e ironia da coisa? Não é tão querido que ele não te tenha o mínimo respeito, nem por ti nem pelos filhos, mas depois nem sequer tem o teu nome na lista telefónica, tem algo muito mais especial! Vê lá tu que ele chama-te de "Amor". Que lindo! Estou mesmo sensibilizado. Verdadeiramente tocado!

Só que Amor, lá na definição do dicionário dele, significará: "Aquela cabra que vive comigo lá em casa há não sei quantos anos e que só me fode o juízo, que torna a minha vida miserável, e que bem que podia morrer que não me fazia falta nenhuma".

Decorei textualmente as palavras que lhes disseste:
"- Vens jantar? Não disseste nada. Vem devagar".

E ele lá continuou a vir para casa, naquele dia de chuva, comigo ao lado, a 170Km/h.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Desvanecer em Ti



"Fade into you" / So Tonight That I Might See / Mazzy Star / 1994

O Cliente Nunca tem Razão

Eu ainda sou do tempo de ouvir dizer que "o cliente tem sempre razão". Mas muita coisa mudou entretanto. 

Temos um carro semi novo, deixamos na Renault Gondomar para fazer a primeira revisão, e verificamos que até nos lavaram o carro e tudo e está todo a brilhar e ficamos muito contentes. Mas chegamos a casa, e começamos a olhar mais em detalhe, e... Espera lá! O capot está todo picado! Não! Não é só o capot, o parabrisas também está todo picado! Mas que merda é esta que me andaram a fazer ao carro caralho? Até me fazem falar mal!

Resposta lá do tipo que manda: "Ah isso certamente foi o senhor andou atrás de um camião que soltou pedras e picou-lhe a pintura". Diz lá isso outra vez? Eu fui o quê? Eu fui atrás de um camião que soltou pedras, mas as pedras também me picaram a pintura dos lados e atrás? Mas pensam que estão a tapar os olhos a quem? Eu por acaso tenho ar de criança de cinco anos ou quê?

Lá está. O cliente nunca tem razão. O cliente inventa coisas. Não é a empresa que presta um péssimo serviço. Não. O cliente é que é culpado por deixar um carro com uma pintura nova na Renault, porque ingenuamente acha que será melhor atendido na marca. Lá está, o cliente nunca tem razão.

Muitos anos depois de ter passado a ter o carro revisto noutro concessionário da marca, lá voltamos à mesma Renault Gondomar. Queremos acreditar que aquilo foi só azar, nada de ruim voltará a acontecer. E como até nos tinham avisado que o motor do nosso carro tem um cancro, que dá problemas bastante dispendiosos e pode dar cabo do motor, porque tem uma peça que tem de ser mudada, avisamos a menina do atendimento (gira e sempre simpática) e ela até escreve lá na folha da ordem de reparação, textualmente, se não é preciso mudar aquela peça. Os mecânicos dizem que não, que aquela peça não se muda porque nunca avaria, por isso não tem manutenção.

Só que, sete mil quilómetros depois, o carro começa a fazer um barulho. Vamos logo à oficina mais próxima e lá vem o diagnóstico: o senhor deveria ter mudado a tal peça, que "nunca avaria e não tem manutenção" e como não mudou, agora vai ter um prejuízo de milhares de euros. 
Confronta-se a Renault Gondomar e antes de iniciar o processo de reclamação, dizem-nos que não têm nada a ver com o assunto sacudindo a água do capote. Da Renault Portugal veio a mesma resposta. Porquê? Porque agora o cliente nunca tem razão! 

Via Imagens Google
Há dias um poste de eletricidade caiu sobre outro carro que está em meu nome. Enviada a reclamação para a EDP, recebo agora por e-mail a resposta:

"Lamentamos a ocorrência dos danos que nos reclamou, mas não podemos assumir a responsabilidade pelos mesmos".

Pois é, eu também lamento. Profundamente. Aqui há uns anos morreram sessenta pessoas em Castelo de Paiva, por culpa de alguém, que não fez a devida manutenção à Ponte Hintze Ribeiro, e esta ruiu levando consigo muitas pessoas que regressavam de um passeio às amendoeiras em flor. Mas segundo o tribunal não houve culpados. A culpa foi das pessoas que atravessaram a ponte no momento errado. A culpa foi das pessoas que morreram! Não tinham nada que ter morrido!

Mas de facto eu lamento profundamente. Lamento profundamente viver num país onde o cliente nunca tem razão. 

Conversas Improváveis 16

Via Imagens Google

Estão é a doer-me  os olhos e tenho umas leves dores de cabeça, o que é estranho porque quase nunca tenho dores de cabeça.
- É da luz de Lisboa. Sempre que vou a Lisboa dois ou três dias também fico cheio de dores de cabeça.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

E se por engano tivessem transferido dinheiro para a tua conta?

Vamos imaginar que vos acontecia o seguinte: de repente, vão consultar os movimentos da conta, e dão-se conta que naquela coluna que diz "crédito", têm lá uma transferência de 100 mil euros, já feita há duas semanas e só agora é que se aperceberam. E não, não venderam nada no OLXulos que o justifique! Eu acho que se qualquer um de nós  tivesse vendido algo desse valor não se esquecia!,não é? Portanto, foi mesmo alguém que se enganou e transferiu o dinheiro para a vossa conta. Perante este cenário que é que faziam?



a) Tentavam por todos os meios saber a proveniência do dinheiro e devolvê-lo. O dinheiro não é vosso. Se o achassem na rua também ia logo correr à polícia entregá-lo... Não é? 

b) Transferiam o dinheiro para Cáritas, Banco Alimentar, Raríssimas ou outra qualquer instituição de apoio social, especializda em dar boa utilidade, em proveito próprio pois está claro, de dinheiros alheios! 

c) Quem vai ao ar perde o lugar. Afinal é como se tivessem achado um maço de notas no chão. Não sabem de quem é, logo, é de quem acha. Como tal decidem imediatamente estourar o dinheiro todo, não vá aparecer alguém a reclamá-lo e depois ainda termos chatices com isso! Estando gasto , olha azar! Tivessem prestado atenção ao número da conta!

d) Levantam o dinheiro e compravam barras de ouro! O ouro nunca desvaloriza nem nos cobram taxas de "manutenção da conta"! Mas também não se entusiasmem, 100 mil euros nem para três barras de ouro (de 1Kg) dá!

e) Não faziam nada e deixavam lá ficar esse guito todo, a juntar ao que já lá têm!

Mas o que é que faziam?
Iam devolver? Claro, não estava à espera de outra coisa da vossa parte!

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Operem mas é o cérebro

The Great Wall of Vagina
Se todas são diferentes, por que é que agora todas querem ser iguais umas às outras? Quem decidiu isso? Quem disse que os lábios, narizes, mamas, cus, deveriam todos ser desta ou daquela maneira? E que piada terá um mundo com mulheres todas iguais? Mais grave ainda, como é que as pessoas  abdicam da sua própria individualidade, da sua Natureza e querem ser todas iguais a uma outra qualquer? Sinceramente? Não. Eu não gostava que todos os homens do mundo dormissem com uma vagina igual à da minha mulher. Infelizmente acho que as pessoas andam cada vez mais vazias. Deviam era operar o cérebro, não as vaginas. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Natal, Up-to-Date


Em vez da consoada há um baile de máscaras
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio
Todos estes pastores são jovens tecnocratas
Que usarão dominó já na próxima década

Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo
Enquanto não se sabe ao certo o resultado
Dos que vêm sondar a reacção do público

Nas palhas do curral ocultam microfones
O lajedo em redor é de pedras da Lua
Rainhas de beleza hão-de vir de helicóptero

E é provável até que se apresentem nuas

Eis que surge no céu a estrela prometida
Mas é para apontar mais um supermercado

Onde se vende pão já transformado em cinza
Para que o ritual seja muito mais rápido

Assim a noite passa. E passa tão depressa
Que a meia-noite vós nem se demora um pouco

Só Jesus no entanto é que não aparece
Só Jesus afinal não quer nada convosco

David Mourão Ferreira / 1969

domingo, 17 de dezembro de 2017

E por falar em controlo, manipulação e suposto ciúme...

E de repente, depois da cena do "Lamento, mas não vou falar mais contigo" lembrei-me da seguinte história, contada num fórum da internet, por onde andei durante cerca de um ano, e que não deixa de ser o exemplo por demais evidente do que tenho vindo a afirmar. Na maior parte dos casos, a culpa das situações em que as vítimas de se enfiam, é muitas vezes quase exclusivamente sua, por se deixarem pisar e escolherem só quem as trata mal. E eu pergunto-me: como é que uma mulher moderna, inteligente e formada se deixa envolver por merdas deste género? Eu não consigo entender:


"Uma amiga muito querida namorava com um ainda maior amigo meu mas não tão querido como ela. Ele, que era muito ciumento, proibiu-a de ter Facebook. Chegou ao ponto de ela não poder passar no mesmo corredor que um qualquer colega homem ao mesmo tempo. Se estivesse um homem no corredor, ela teria que esperar algures para ele passar, para depois ela o poder fazer. O namorado sabia se ela seguia as “instruções” ou não facilmente porque eram colegas de trabalho. E esta amiga tão querida, uma rapariga inteligente, fazia tudo isto. Até se vir a saber que para além de Facebook, que ele proibia-a de ter mas que ele tinha, estava também no Badoo numa foto de tronco nu, a querer conhecer mulheres. Foi também descoberto por uma outra amiga em comum, abraçado a uma outra rapariga numa loja.

E ela sempre a julgar que ele era ciumento por amor a ela, na verdade o ciúme que ele tinha era apenas porque ele reflectia nela o que ele próprio era (tinha medo que ela fosse igual a ele)." (CJM3)

Precisamente. Tinha medo que ela fosse igual a ele.

Conversas Improváveis 15

"Elas quiseram tirar uma fotografia e então o que eu fiz foi abaixar-me e ficar bem escondido para ninguém me reconhecer. E tu acreditas que a fotografia foi partilhada, e a minha mulher só pelas sapatilhas reconheceu-me e veio-me logo com aquela conversa que ficou cá a cuidar dos filhos e eu andava lá comer gajas. Facebook? Nunca mais!"



"No Brasil não posso é ir à praia, senão tenho de andar sempre curvado."

"No Brasil não acredito em santinhos. Todos se perdem."


# Brasileiras: uma ciência que desconheço

Novas gerações, Velhos Hábitos

"Olá,

Lamento, mas não vou falar mais contigo. Tu és impecável e espero que...blablabla"



Também lamento. Por ti, unicamente. Afinal, só tínhamos trocado três ou quatro e-mails, muito espaçadamente no tempo, e nem sequer te conheço ainda o carácter, muito menos tínhamos qualquer espécie de ligação. Mas lamento especialmente por ti, que ainda és jovem, com idade para seres minha filha, e por toda uma nova geração da tua idade, que, apesar de querer parecer tão diferente por ter nascido num tempo diferente, de internet e de novos direitos, irá continuar a perpetuar os mesmos erros das gerações anteriores. 

De facto nada parece mudar de essencial. E nem é preciso indagar o que se passou. É demasiado óbvio. Volta-se para o ex-namorado de quem se dizia que se passava a vida a discutir, que era demasiado controlador e os ideais eram completamente diferentes, mas tem que se fazer cedências. E eu nem quero imaginar de que ordem serão essas cedências na vida real, para que se tenha mesmo de cortar com uma mera pessoa (eu) que nem nos conhece e que simplesmente envia um e-mail a dar notícias. 

Lamento mesmo que as novas mulheres, que até já cresceram num mundo diferente, continuem a submeter-se ao velho jugo, à mesma burka, e que sejam elas mesmas a perpetuar o machismo. E depois queixam-se dos homens, da violência doméstica, quando são elas mesmas que simplesmente se deitam na cama que fizeram. 

Almas Perdidas


"Our souls are lost / We must sail north"

Viver é só Resolver Problemas?

Não sei se é o destino, se é o universo, ou então se é o raio que o parta, mas a verdade é que, quando de tudo nos acontece, e ao mesmo tempo, sem descanso quase sem tempo para respirar, fico com a sensação que viver é quase só ter de resolver problemas, uns atrás dos outros.

Quando eu era criança tinha dois medos. De tanto ouvir falar tinha medo de poder ter de ir para essa coisa que se chamava tropa, e tinha também medo de quando chegasse o fim do mundo, afinal, ia morrer ainda tão jovem, no ano de 1999, porque passava a vida a ouvir dizer que "a 2000 chegarás, de 2000 não passarás. Em criança tinha também o medo de poder chegar a adulto e não saber resolver todos os problemas que os adultos têm, ao passo que, enquanto somos crianças, não temos de os resolver nem de decidir nada, pois temos sempre os papás a resolver os problemas e a decidir por nós, até a roupa que levamos para a escola no dia seguinte.

Entretanto há muito que sou adulto. Não fui à tropa e duvido que algum dia pegue numa arma de fogo porque sou totalmente conta elas. E há quase dezoito anos que passei o ano 2000! Já nem na santa podemos acreditar! E depois, à medida que vamos abandonando a meninice, começamos a ter de tomar decisões e assumir responsabilidades. 

Os estudos, as amizades, com quem decidimos andar, os namoros, a sexualidade. Depois o trabalho, o primeiro carro, a casa... Não é necessariamente por esta ordem, mas aos poucos a nossa vida rodeia-se de um monte de decisões que temos de tomar, e algumas dessas decisões poderão ter, para o bem e o para o mal, implicações para o resto da nossa vida. 

E os problemas em adulto já não são aqueles que resolvíamos na escola primária em que se tirava a prova dos nove. Por vezes parece mesmo que o universo não tem mais nada que fazer que não seja complicar-nos a vida. Parece que pega num boneco de voodoo e nas agulhas, e vai-nos espetando, espetando e rindo-se de nós, como se tivesse mesmo muita graça foder a vida dos outros. E no meio de um monte de problemas, que surgem sempre ao mesmo tempo, tal como diz a Lei de Murphy! em que teremos de tomar decisões e resolver as situações. E logo que se resolvem uns, é como se de repente estivéssemos num jogo, passássemos de nível para logo a seguir aparecerem mais uns quantos. Às vezes fico mesmo com a sensação que, nesta vida moderna, e tantas vezes uma vida sem sentido que levamos, viver mais parece que é só ter de  problemas atrás de problemas. 

E o que me parece é que nós não andamos a viver. Andamos unicamente a ser escravos desta sociedade de consumo. Os nossos problemas não são verdadeiros problemas. São meras contas que qualquer menino resolve na instrução primária, tal como eu resolvia e ia depois, a correr mostrar à professora Alice. 

Uma grave doença; um acidente; uma incapacidade; uma morte; um desgosto amoroso. Sim, isso são problemas reais. Tudo resto, na maior parte dos casos são só pequenas decisões que temos (ou não) de tomar. E às vezes parece que os adultos, mesmo quando tudo está a correr bem, adoram criar os seus próprios problemas, tal como aquela criança que espera, na carteira, ansiosamente, que a professora coloque no quadro um novo problema para resolver. 

Sim, eu tenho em mãos alguns problemas complicados. Uns mais do que outros. Uns mais básicos, da base da pirâmide, outros mais difíceis de resolver, lá bem no cume, de cariz existencial. Mas uma coisa é certa, o universo terá que se esforçar mais, pois as agulhas que espeta no meu boneco de voodoo só me fazem umas coceguitas. Olha para mim universo, de pé, firme, sempre a resistir. É só isso que tens para mim? O que eu acho é que quem dera a muita gente ter só os problemas que eu tenho para resolver. (Ainda que, na verdade, se soubessem dos problemas que eu tenho, quem lhes dera voltar a ter só os seus).

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Publicação Nº 666




"E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas. Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis." (Apocalipse 13)

domingo, 10 de dezembro de 2017

Não Agites o Barco Quando o Mar está Calmo

E também te estás nas tintas para saber que o Estado português participa na produção desta novela com dinheiro de uma igreja manhosa?
Meu querido, o Estado Democrático Português deu um canal de televisão à Igreja Católica e não foi assim há tanto tempo. 
Ok, e?
Provavelmente as calças que tu tens foram feitas por uma criancinha no Vietname e nunca te vi a costurares a tua própria roupa para ajudares as criancinhas asiáticas. Hoje em dia ninguém faz uma omelete sem que os ovos sejam do aviário e esteja cheio de hormonas. Percebes? Ninguém é inocente. Nada. Nem tu. 
Uau. É incrível. Tu transformaste-te num clone do Fernando. 
Esta produção já passou por muita merda. Agora estamos bem, as audiências são boas, as pessoas estão felizes. Elas gostam de ver o rei a correr atrás da escrava, feliz, e ninguém quer saber se foi a IFUBEG que pagou a coroa da Carlota Joaquina. Não agites o barco quando o mar está calmo. 
Isso é um ditado?
Não, é uma metáfora. Das más. 


País Irmão - Episódio 12

Então- é-isto-que-eles-conversam-lá entre-eles-e-querem-que-eu-me-Junte?!





sábado, 9 de dezembro de 2017

Parte de Alguma Coisa Maior

Sabe onde é que eu estava indo Márcio? No Museu do Fado. Estou em Lisboa há meses e ainda não vi nada da cidade. Você já ouviu Amália cantando?
Não.
- Prefere rock evangélico?
Jazz. 
Nossa, que ousado Márcio. Quem?
Billy Holiday, Frank Sinatra, Porter... Esses. 
Madrugada, um frequentador de prostitutas e uma bicha. 
Sabe o que a gente tem em comum Márcio? Quando eu escuto a Amália cantando eu me sinto parte de alguma coisa maior. Eu acho que é como você se sente quando você está rezando com centenas de pessoas num templo. Eu acho que no final das contas todo o mundo tem esse desejo de transcendência não é? Se sentir parte de alguma coisa. Maaaas, eu não fico tentando converter as pessoas ao fado. Eu não digo o que você tem de fazer, não me importo com quem você dorme, tampouco com o que você veste...
Cê tirou o seu dia de folga para fazer sermão para o pastor?
Todos nós somos pregadores das nossas convicções. 
Cê quer concluir?
Cê não cansa, de ser o que as pessoas querem que você seja? Fazer o que as pessoas querem que você faça?
Cê tá falando de mim ou de você Branca?
Acho que eu estou falando de nós dois né?



País Irmão - Episódio 12

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

É para isto que se quer ter uma Relação?

Já era de madrugada quando ela foi passear o seu cão preto, desconfiado, de olhos escuros e vestido de pai natal, para fazer o seu chichi. Eu acabei por dar mais uma volta ao bilhar grande, só para aproveitar os últimos minutos de conversa, antes de ter de refazer novamente metade do bilhar para ir para o carro, molhado pela chuva, e vir embora. 

De repente, a conversa interrompe-se. Ouvem-se gritos. Vinham de dentro de um Peugeot 205 branco que estava estacionado junto ao passeio da praça. O homem, descontrolado, gritava e batia violentamente com os punhos no tablier.  A mulher, do lado do volante, virada para a frente, estava quieta.

Perguntei-me se é para isto que as pessoas querem ter uma relação?

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Da Manipulação da Imprensa e das Opiniões que Contam para Limpar o Cu

 Hoje, 4 de dezembro de 2017 Mário Centeno, Ministro das Finanças do governo socialista, apoiado pelos partidos de Esquerda, é eleito (para o bem e para o mal) Presidente do Eurogrupo. Mas em Novembro de 2016, o pasquim Sol, dava como certa a sua saída do governo no início deste ano, provando-se que se tratou de mais uma mentira descarada e de uma campanha de intoxicação e manipulação da opinião pública.


Ora bem, Mário Centeno não sai do governo em Janeiro tal como afirmava o pasquim do Saraiva, mais, em face dos bons resultados que a economia portuguesa apresentava, Centeno começa a granjear simpatia na Europa, mesmo na família política da direita europeia, tanto que, o próprio Schäuble, Ministro alemão das Finanças, chega mesmo a apelidá-lo de "Ronaldo do ECOFIN. E começa-se mesmo até a falar dele como possível candidato a Presidente do Eurogrupo.

E o que é que tem a dizer sobre isto o comentador e ex-político frustrado, Marques Mendes, na SIC, canal do fundador do PSD e aquele de quem Belmiro de Azevedo disse que não servia nem para porteiro da SONAE?

 

Muito elucidativo não é? E dizem que esta é a "opinião que conta". Jornais e comentadores a manipular e a mentir descaradamente. Mas infelizmente, os jornais nem para para limpar o cu servem.

E o que é que eu acho de Centeno no Eurogrupo? 
Não acho nem deixo de achar. Pode ser prestigiante para Portugal sim, se desenvolver um bom trabalho, mas neste momento acho que os portugueses estão mais preocupados com a economia portuguesa do que com a economia europeia. E depois eu não tenho especial simpatia por portugueses no estrangeiro, principalmente se forem incompetentes. Prefiro todo e qualquer estrangeiro competente a um português incompetente por dois motivos: primeiro ficamos melhor servidos, segundo, não passamos vergonhas como com Durão Barroso. Vou esperar para ver.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Teste de Personalidade: Quão Neandertal és Tu? e podes culpar o teu ADN?

Fala-se muito do QI (Quociente de inteligência) e do QE (Quociente de Inteligência Emocional) mas e o que sabem acerca do Quociente de Neandertal?

O jornal Guardian, no seu site on-line, e em jeito de passatempo e curiosidade domingueira, e promovendo o livro "És mais esperto que um chimpanzé?"de Ben Ambrige, deixa um questionário para percebermos melhor como é o nosso Quociente de Neandertal. Isto porque um novo estudo da Universidade Nova York analisou 200 Homo Sapiens e tentou perceber quais os traços de personalidade que eles compartilhavam com os nossos primos distantes Homo Neanderthalensis.

The Guardian
E quanto a nós? Vamos lá ver então. Com que frequência (nunca / ocasionalmente / frequentemente) tu...

a) Fantasias sexualmente com alguém que não é o teu parceiro?

b) Evitas falar com pessoas que não conheces muito bem?

c) Por vezes sentes-te tão nervoso que nada te pode acalmar?

d) Mostras falta de imaginação em situações novas?

Ora bem... no meu caso, como de momento não tenho nenhuma Femina Sapiens(*) salto já para a alínea b: Não, não evito nada falar com pessoas que não conheço bem. Estou muito à vontade com isso.

c: Raramente. 

d) Sou extremamente criativo e imaginativo mesmo em situações novas.

Concluindo, sou um verdadeiro Homo Sapiens! e tenho um QN  baixo!
Mas se a maioria das tuas respostas foi frequentemente então tens um NQ relativamente alto

À primeira vista nós Homo Sapiens somos monogámicos (cof cof) sociáveis, calmos e imaginativos, ao passo que os Neandertais eram promíscuos e brutos. Mas os investigadores observaram as amostras de ADN dos participantes e procuraram correlações entre as suas personalidades e a sua sobreposição genética com o ADN de Neandertal, as correlações foram pequenas, mas estatisticamente significativas. Uma vez que, em geral, a evidência de traços de personalidade hereditários é forte, e como tal não é exagerado imaginar um futuro próximo em que as nossas personalidades sejam analisadas, não em questionários, mas pelo nosso ADN. 

Mas eu acho que isto também dá uma bela inimputabilidade a muito boa gente! 
Ai querido, sim é verdade, andei a pinar com o colega novo do escritório, mas tu sabes, eu não tenho culpa nenhum. É o maldito Quociente de Neandertal! Ou ainda "Querida, levas nas trombas todos dias, mas eu não tenho culpa, é tudo do ADN e dos nossos primos Neandertais!

(*) Pois é, chamar Homo Sapiens a todo a humidade é certamente uma terminologia que viola o código para a igualdade de género. Oh não, se alguém se lembra temos mais umas dezenas de mortos, com os incêndios... nas redes sociais! 

Deixar de Acreditar



É mais do que isso. Eu deixei de acreditar.

A cada dia que passa eu acredito um bocadinho menos, um bocadinho menos e um bocadinho menos, e é fodido. E que é que eu faço em relação a isso Scherbatsky?

Química. Se tens química, só precisas de outra coisa.

E isso é o quê?

Tempo. Mas o tempo é uma merda.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

The Temple com Zé Pedro


"Baby Hate" - Diesel Dog Sound / The Temple (2004)

com Zé Pedro (1956-2017)

"Nothing is pure anymore..."

Tão Bom que era o Patrão Belmiro

Agora que o Belmiro de Azevedo morreu, ouvem-se tantos elogios ao empresário-modelo, que pagava salários miseráveis, que quase fico comovido. Passemos os olhos em alguns testemunhos de quem trabalhou nas suas empresas e que certamente só boas coisas terá a dizer:


Sair a horas é impossível

O ordenado é a mesma miséria, 3€ à hora e é se quero, senão põem outra pessoa no meu lugar, de momento não tenho outra hipótese senão continuar

Trabalho há vários anos na Worten, sou permanência de loja, sou responsável de uma secção, trabalho a tempo inteiro e recebo 3€/hora

Trabalho num Continente-Modelo e subscrevo tudo que foi dito anteriormente, despediram metade dos meus colegas e faço o turno da noite sozinha, querem que faça sozinha o trabalho que faziam 3 pessoas. Devia sair às 22h mas nunca saía a horas, saía quase sempre às 23h. Relativamente às horas a mais nunca me foram pagas nem nunca foram gozadas

Quanto aos contratos é verdade 3 e rua…uma vergonha

Trabalhei em lojas da Sonae em que chegava a trabalhar 10 dias seguidos, com uma folga por semana ou então umas cinco horas sem ir comer ou à casa de banho por me encontrar sozinha em loja

Vendo o meu trabalho há 23 anos como Operadora de Caixa num Hipermecado do Grupo Sonae . Sim, sempre pedi para ir ao WC e muitas das vezes ignorada indo á rebelia das chefias

Tenho uma anemia crónica e ainda assim insistiam em meter-me 2 dias a trabalhar 5h e sem comer…

Fui ensinada se possível a comer de 5 em 5 horas ou mais


Comerr? mesmo que tenhas problemas de saúde (estômago) que impliquem comer vezes amiúde não podes!!! tens que aguardar as tuas ditas 4h que é para estragar mais ainda o estômago…

Cheguei a fazer horários de 8 horas na caixa e só ao fim de 6 horas de trabalho ia jantar ou almoçar. EX: 12h00 às 21h00, só comia das 18h00 às 19h00 e no meu horário estava das 14h00 às 15h00; falei à minha chefe e a resposta delas era ‘não tenho operadoras suficientes, aguenta’… depois há erros de que os clientes não têm culpa…

Na loja onde trabalhei, o director proibiu a água. Qual o motivo? Não foi explicado, mas era fácil perceber que a ideia era limitar as idas à casa de banho o mais possível

Uma colega gravida (gravidissima) com diabetes gestacionais estava a sentir-se mal porque não a deixavam fazer uma pausa para ir sequer comer, beber ou à casa de banho

Isto para já não falar das colegas mulheres que estão com o período e chegam a ficar todas sujas porque não lhes permitem ir ‘mudar o penso

Reconheço todas as queixas e ainda acrescento algumas: na loja onde trabalhei, o aquecimento era desligado e só era ligado nos dias em que vinham auditorias à loja

Eu deixo já a sugestão para que a Igreja Católica canonize Belmiro de Azevedo e o ponha no altar! Todos os elogios ao patrão-maravilha podem ser lidos aqui.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Não Me Morras

Eu gostava de saber mais. Muito mais. Sobre isso e sobre tudo o resto. Gostava de saber muito mais sobre ti. Sei pouco. Às vezes também não é preciso saber. Basta sentir. E gostava de saber de onde é que vem todo esse sofrimento que carregas e que tanto te consome. Um sofrimento que tem de ser quase insuportável a ponto de achares preferível deixar de viver a teres de enfrentar esse peso a cada novo dia que passa. Eu sei que não consigo imaginar o quanto estarás a sofrer, porque sei muito bem que é preciso estar a sofrer muito para nada mais interessar. Como se quisesses acabar tudo para quem sabe recomeçar de novo de forma diferente.

Nós nascemos sozinhos. Vivemos juntos. Morremos sozinhos. Ninguém pode morrer por nós. Ninguém pode sofrer por nós. O que tivermos de passar, teremos de ser nós a passar. Ninguém poderá passar por nós. E eu sei que nada do que eu te disser agora te animará. Não interessará que eu diga que és uma pessoa encantadora, certamente muito querida por todos, e de quem, certamente, toda a gente gostará. Nada adiantará eu dizer que toda a gente vai sentir muito a tua falta. Os teus pais, amigos e todos aqueles que te querem bem. Sei bem que nada disso interessa porque estás a sofrer e o sofrimento não desaparecerá com as bonitas palavras e incentivos dos outros. 



E eu não tenho que saber de nada. E o mais importante eu já sei, que é saber que não estás bem. Que queres acabar com tudo e ir-te embora. E isso é mesmo muito triste para mim. Sinto-me impotente, porque, mais uma vez, nada posso fazer. E eu sei que nada do que eu possa dizer te fará sentir melhor. E isso é muito triste para mim. 

Tu sabes melhor do que eu. Certo dia, faz hoje precisamente dois anos, aproximaste-te de mim. Aproximaste-te só para me mostrar que havia alguém, que mesmo não me conhecendo, que se importava com a minha tristeza. E só isso já diz muito sobre a pessoa que és. Hoje, sou eu que te quero dizer que estou aqui para ti. Sempre. Tens-me sempre aqui para ti. Desculpa já não ser um desconhecido para ti. Já me conheces, já sabes como eu sou, não te posso motivar a conhecer alguém alguém novo. Mas por outro lado já sabes como eu sou. Sabes com o que podes contar. E eu sempre achei que é para isso que servem os amigos. Pois é. Durante tanto tempo não conseguimos encontrar definição para o que éramos um do outro. Amigos sempre me pareceu bem. E para mim os amigos são para estarem lá quando precisamos deles.

E o que eu gostava era de poder estar agora contigo. Agora, que precisas. Gostava de poder abraçar-te e deixar-me abraçar por ti, com toda a força que entendesses, mesmo que me deslocasses duas ou três costelas! Entende que, mesmo ninguém possa resolver o que te aflige, tu não tens de lutar sozinha. É mais fácil se dividires o fardo com aqueles que te querem bem. E eu quero-te muito. E bem.

domingo, 26 de novembro de 2017

Reciclar é Aliviar a Consciência Pesada

The Guardian
Reciclar não é ser sustentável. Ser sustentável é não comprar. Ser sustentável é usar o máximo tempo possível. Não é sustentável comprar um telemóvel a cada seis meses só porque saiu um novo. Não é sustentável comprar uma nova consola de jogos sempre que sai uma nova para o mercado. Não é sustentável comprar um batalhão de roupa nova, muita nem se vai usar, só porque está barata. Está barata mas alguém, pago miseravelmente, teve de a produzir. A Natureza foi, irremediavelmente prejudicada com essa produção. 

E depois, no fim disto tudo, da produção e da poluição, fala-se na reciclagem. Mas reciclar é mais ou menos como o bom cristão que peca, que comete um pecado grave e depois vai ao padre para confessar os seus pecados. E sente-se aliviado. Ou como aquelas pessoas que enchem o bandulho ao fim-de-semana, e comem um monte de porcarias, e depois na segunda-feira, com a consciência pesada, decidem aparecer no ginásio. E reciclar é mais ou menos isso: aliviar a consciência pesada.  

Conversas Improváveis 10


Via Google Images
No trabalho:

"Eu tenho de pedir um atestado médico para fazer exercício e ir para um ginásio que é algo que faz bem à saúde. Mas ninguém tem de pedir um atestado médico para dar cabo da saúde! Por acaso alguém é obrigado a pedir um atestado médico para começar a fumar ou para ir ao Macdonald's? Mas isto faz algum sentido"?

Tu Votas em Partidos que Defendem as Touradas?

É muito curioso que não se fez eco desta notícia, eu pelo menos não ouvi nada. Parece que a notícia que interessava badalar no final da semana, era que o INFARMED se ia mudar de Lisboa para o Porto. Desta notícia, bem mais importante por sinal, não se fez qualquer eco, e não terá sido por coincidência que os maiores partidos em Portugal, todos, votaram da mesma forma. Estranha unanimidade diria! E quando não se faz eco na comunicação social é como se as coisas não tivessem acontecido. Mas vamos então à notícia:

esquerda.net

No segundo dia de votações na especialidade do Orçamento do Estado para 2018, o Bloco de Esquerda apresentou uma proposta para que as touradas e os toureiros deixassem de estar isentos do pagamento de IVA. Mas a proposta, que à partida é de uma enorme sensatez, foi rejeitada no parlamento. Porquê?

Porque CDS, PSD, PS e PCP votaram contra. Fica aqui preto no branco quais são os partidos que em Portugal defendem as touradas. E defendem também que um sem abrigo tenha de pagar IVA na compra de um pedaço de pão para comer, enquanto que, aqueles que fazem espetáculos bárbaros que implicam o sacrifício e a morte de animais não paguem IVA. Sou só eu que achei isto aberrante?

Tu votas em partidos que defendem as touradas? 

sábado, 25 de novembro de 2017

Gostamos mais de Animais do que de Pessoas?

Pandora
Comecei a pensar neste assunto quando a minha mãe me falou que a Pandora, a cadela, anda com alguns problemas de saúde. Apesar da idade avançada, ainda muito rija anda ela. Mas a minha mãe não quer que ela sofra, e apercebi-me que estaria a falar em eutanasiar a bicha caso perceba que ela vá terminar os seus dias em sofrimento. E depois pus-me a pensar qual seria a pessoa que, por ver um ente querido a sofrer horrores, seria o primeiro a dizer uma coisa destas? Pelo contrário. O que vejo é as pessoas prolongarem o mais possível uma vida humana, mesmo que, muitas vezes só esteja artificialmente viva ligada a máquinas. E porque será então que queremos prolongar ao máximo a vida de uma pessoa, ao passo que com um animal, por mais que gostemos dele, preferimos que não sofra?

Outra situação. Recentemente uma amiga, que sabe muito de animais e que nem sequer ouso questionar os seus conhecimentos, disse-me que dar a pílula a gatas é muito errado pois vai-lhes criar muitos problemas de saúde. Eu nem coloco isso em discussão, mas depois pus-me a pensar: então mas e nas mulheres? Às mulheres já as podemos entupir, mês após mes de pílulas contracetivas, que não lhes faz mal nenhum? Às mulheres, até se aconselha, mal iniciem a atividade sexual a fazer uma consultazinha de planeamente familiar e a prescrever-lhe a píula! Não haverá aqui qualquer coisa errada?

Por último apanhei uma conversa no refeitório da empresa, sobre como os restos de comida não são alimentação saudável para os animais. E na verdade sempre fui ouvindo dizerem isso. Até tenho amigas em que os bichos têm de comer ração de determinada marca senão podem-se sentir mal. Mas, curiosamente, todos os humanos que estavam naquele refeitório, comiam sobras do dia anterior aquecidos no micro-ondas.

E os animais abandonados? Qualquer pessoa que vê um animal na rua, abandonado à sua sorte, de imediato fica com o coração partido e o trás para casa, para cuidar dele. Mas alguém que encontra uma pessoa desnutrida na rua, alguma vez no seu juízo perfeito a vai trazer para a sua prórpia casa? Então por que será que somos tão indiferentes para com o sofrimento humano alheio? O que é que isto significa afinal? Não queremos que um animal sofra em fim de vida, mas ai de quem abra a boca para dizer isso de um filho ou familiar. Ai de quem dê pílula aos animais que é um desnaturado, mas ninguém se importa que as próprias mulheres a tomem toda a vida. E não se podem dar restos de comida aos animais que é errado, mas nós mesmos, animais-pessoas comêmo-los todos os dias. Afinal o que é que isto significa? Que gostamos muito mais dos animais que das pessoas? 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Poeira das Estrelas

Há umas semanas cruzei-me de novo no espaço onde nos conhecemos. Tinha combinado com uns colegas que escolheram especificamente aquele sítio. E como sabes, eu tenho o péssimo hábito - para bom português bem entendido! - de ser muito pontual. Claro que fui o primeiro a chegar, e ainda esperei uma meia hora até que chegasse mais alguém. Pude então perder-me nos meus pensamentos, e foi-me impossível que, naquele espaço físico, por onde deambulamos uma quantas vezes, não me transportasse de imediato no tempo. Para o tempo em que segurar na tua mão e olhar nos teus olhos, era o suficiente para me fazer feliz. Era impossível que a nostalgia não me deixasse com o coração apertado. Cruzar aqueles espaços era como se eu estivesse ali, a assistir a uma peça de teatro, de um determinado período da minha vida, em que nós os dois éramos os protagonistas. 

Durante todo aquele tempo que por ali estive à espera, fiz-me várias perguntas. A mais importante acho que foi perguntar-me no porquê de não teres querido seguir viagem comigo. E eu sei que tu quiseste, no tempo devido, que eu te fizesse todas as perguntas que quisesse fazer, pois querias esclarecer todas as minhas duvidas. E eu acho que consegui perceber, pelo menos em parte mas...

A minha pergunta ia no sentido de eu me questionar se fiz algo de errado. Enquanto por ali estive, questionei-me se, desde o dia que nos encontramos, naquele mesmo local, se eu pudesse, agora, como que por magia, fazer voltar o filme atrás, se eu poderia corrigir alguma coisa. E tu sabes que isto é um exercício meramente académico. Mas sabes o que eu respondi a mim mesmo? Eu respondi aquilo que tu mesma me responderias: "Tu não fizeste nada de errado"!

Mas algo não resultou para que tivesses decidido que cada um de nós seguiria em viagens separadas ou em vidas paralelas. Daí que, se puxássemos o filme atrás, e eu agisse da mesma forma, "não fazendo nada de errado", claro que tudo se repetiria de novo! Alguma coisa eu teria de ter feito diferente. Mas e se eu tivesse mudado algumas cenas ao nosso argumento? Será que teria havido alguma forma de termos seguido viagem juntos?



E queres saber a que conclusão eu cheguei, enquanto estava ali, sentado numa mesa, com vista para um dos quaisquer cantinhos que escolheste para nos sentarmos? A triste conclusão a que cheguei, é que o resultado seria sempre o mesmo. Verdade. E isto não tem nada a ver com eu acreditar que o destino já estava traçado. Não, isto tem só a ver com o teu livre arbítrio, com a decisão que tu achaste por bem tomar. E eu estou em crer que, mesmo que eu até fosse moreno, de cabelo preto e de olhos escuros, tal como tu gostas, sei lá, mesmo que até tivesse feito tudo de maneira diferente para melhor, eu acho que o resultado seria o mesmo. Porquê? Porque seria sempre Eu que estive contigo. 

E eu acho que é em mim que eu devo procurar resposta. Não que ache que tenha de mudar, até porque com esta idade já acho que isso seria muito difícil! E na verdade eu até gosto de ser como sou. É verdade! Claro, apesar dos defeitos, mas também era o que faltava se não tivesse! Mas eu sou como sou. E claro que ambos sabemos que o problema não foi a cor dos meus cabelos nem dos meus olhos. E às vezes quase me conseguias convencer, quando me olhavas com ternura e me dizias que eu era um homem muito bonito. E, sabendo eu, que não era nada o estereótipo de beleza que te atraía, tinha a sua graça. Acho que gostava mais de acreditar sobre o que dizias da minha Luz... Gostava mesmo...

E por falar em Luz, diz-se que todos nós somos feitos de poeira das estrelas. Olha, se calhar, pensei nisso enquanto esperava pelos meus colegas, talvez tu fosses estrela demais para a minha poeira! Sei lá! Na volta, talvez todas as estrelas de quem a luz me fez aproximar tenham luz demais para mim. Ou então eu carregue o karma de ser uma poeira estrelar que tenha de andar por aí sempre à deriva...

sábado, 18 de novembro de 2017

Medo. Tenham Muito Medo...

Acreditar no Destino



Mulher de coragem a sua mãe, porque muitas vezes no campo arriscou a vida, passou comida através da cerca eletrificada, comida e medicamentos a outro preso, assumiu a culpa pelo desaparecimento de alguma comida, e correu sempre risco de vida...

Sim. A minha mãe é uma mulher muito corajosa e eu tento analisar isso no livro, e eu acho que grande parte dessa coragem se deve ao facto de ela acreditar completamente no destino. Então ela nunca se preocupa "ah eu vou morrer" ou "eu vou apanhar alguma doença"ou "vai acontecer alguma coisa comigo". Ela entrega a vida dela para o destino e eu acredito que é isso que lhe confere tanta coragem e que fez também com que ela conseguisse sobreviver, porque ela não ficava se poupando, e privando de uma forma egoísta ou vaidosa. Ela sempre soube ser humilde e aceitar as coisas como elas vinham, e até hoje ela é assim. 

Noemi Jaffe, autora do livro "O que os cegos estão sonhando?" no programa À volta dos livros" de 16 de Novembro na Antena 1.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Gostava de ter sido Eu a escrever isto:



Márcio, deixa eu te contar uma coisa:
Uma vez eu estava andando na rua, e aí do nada apareceu um maluco com uma Bíblia na mão, e ele tacou o livro assim, com toda a força, na minha direção. E aquela Bíblia ia tendo atingido diretamente o meu coração..
- Sabe qual foi a minha sorte?
É que eu estava com um casaquinho, tipo um blazer desses que tem um bolsinho assim, e dentro do bolso tinha uma bala de revolver. Aquela Bíblia teria atingido diretamente o meu coração se não fosse aquela bala. Acredita?

(da série País Irmão)

E Nós? Estaremos preparados para quando a chuva chegar?


Na Grécia morreram, pelo menos quinze pessoas na sequência de uma semana de chuvas torrenciais. Em Portugal, por agora fala-se de seca extrema. Mas estaremos preparados para quando a chuva chegar? É que, tal como é no Inverno que se previnem os incêndios é no tempo seco que se devem prevenir as inundações...

domingo, 12 de novembro de 2017

A Armada Turística Portuguesa




Barcos Fernão de Magalhães, Infante D. Henrique e Vasco da Gama no Rio Douro. Ponte do Freixo, Ponte São João e Ponte Dona Maria. 

Gondomar: A Cidade Europeia do Desporto que Não Gosta de Ciclovias

Em Gondomar inaugurou-se a primeira ciclovia junto ao Rio Douro em 2009. É um percurso de cerca de três quilómetros, que vai desde o Palácio do Freixo até Gramido. 

Era uma via com alguns metros de largura, dividida a meio, em que a metade do lado do rio era de uso de quem pretende caminhar ou passear, enquanto que, a parte do lado da estrada marginal, que estava pintada de cor mais escura, até para se perceber bem que era uma ciclovia, era de uso exclusivo de quem quisesse andar de bicicleta. Este espaço de usufruto, bastante aprazível, também rapidamente foi vandalizado. As casas de banho até foram fechadas, e roubaram de tudo um pouco, desde torneiras, até, pasme-se, os corrimões de aço inox. 

É uma zona que sempre fui visitando, se bem que, cedo, comecei a evitar de andar de bicicleta. Não há respeito. As pessoas vão passear e não respeitam nada nem ninguém. A ciclovia sempre esteve bem sinalizada mas ninguém respeita nada. Se as pessoas não respeitam os outros quando andam de carro nas estradas, iam agora respeitar uma sinalização num passeio? Era o que havia de faltar!

Se for uma família de quatro ou cinco pessoas a passear, pois têm de ir os quatro ou cinco parolos, lado-a-lado, a ocupar toda a largura do passeio, estando-se verdadeiramente a cagar para o que aquilo é. Então, já sabendo de antemão da ocorrência deste tipo de situações desagradáveis, comecei a evitar por lá andar de bicicleta, principalmente ao domingo, quando grandes multidões de pessoas por ali se juntam. 


No entanto hoje, já depois de ter andado na ciclovia de Oliveira do Douro, bem menos frequentada, apesar dos mesmos parolos que têm os mesmos comportamentos, na vinda para casa acabei mesmo por estacionar o carro, e ir dar mais umas quantas voltas por ali, servindo-me de todo aquele maralhal de pessoas, como prova de obstáculos! E na verdade aquilo até dá alguma adrenalina, contornar toda aquela gente, como se fossem pinos de obstáculos!

Mas qual não foi o meu espanto quando pude constatar a nova sinalização que ali meteram! Como a cor da ciclovia entretanto desapareceu, a autarquia deve então ter entendido que seria bem mais fácil acabar com a ciclovia e colocar vários sinais ao longo do percurso dizendo que os peões têm prioridade!! No entanto, o ridículo da situação é que, temos agora um enorme passeio, dividido ao meio, onde um ciclista não sabe por onde andar. É pela esquerda ou pela direita? Não interessa. O que interessa é que os peões têm sempre prioridade!

Gondomar, para quem não sabe, é neste ano de 2017 Cidade Europeia do Desporto. Ironicamente ficamos agora a saber, que esta cidade do desporto não gosta de ciclovias. Prefere os parolos que ocupam as ciclovias todas. Lamentável. 

A Perfeição e o Desastre


A perfeição é isto. Estacionar a um fio de cabelo da parede. Mas convém termos presente que a perfeição também está, muitas vezes, a um fio de cabelo do desastre. E por alguma coisa se diz que o ótimo é inimigo do bom. 

sábado, 11 de novembro de 2017

Não estudes, Corrompe!

Querido leitor: 
Nunca penses servir o teu país com a tua inteligência, 
e para isso em estudar, em trabalhar, em pensar! 
Não estudes, corrompe! Não sejas digno, sê hábil! 
E, sobretudo, nunca faças um concurso; 
ou quando o fizeres,
 em lugar de pôr no papel que está diante de ti
 o resultado de um ano de trabalho, de estudo, escreve simplesmente:
 sou influente no círculo tal e não me façam repetir duas vezes!
(Eça de Queiroz / As Farpas / 1871)


Quando eu era criança, ouvia muitas vezes dizer que era preciso estudar para se ser alguém na vida. Que quem não estudava nunca que iria sair da cepa torta. Queres estudar ou ir carregar baldes de massa? Mas hoje quando penso nisso, acho que é uma barbaridade! Uma indecência! A mentirem descaradamente às crianças logo desde pequenas. Até porque, vamos lá ver uma coisa, o que não falta para aí, é gente a trabalhar na construção civil e ganhar bem mais que licenciados! Uma empregada de limpeza ganha hoje, sem grande dificuldade, 7€ à hora, que é bem mais do que muito licenciado ganha, muitas vezes a dobrar roupa numa loja de centro comercial. 

E do que eu tenho visto, nunca foi bem assim como dizem. Aliás, desde miúdo que ouço falar de gente da minha aldeia, os "brasileiros", que foram para o Brasil  e que em poucos anos ficaram muito ricos. Conta-se que eram donos de ruas inteiras. Mas certamente que não ficaram ricos com a ajuda dos poucos estudos que tinham. E desconfio até, que não ficaram ricos a suar. Eu pelo menos nunca vi ninguém ficar rico de um dia para o outro graças ao esforço físico. E neste caso, até era público, pois uma dessas pessoas que enriqueceu contava que tinha tanto dinheiro, que dava para as suas duas filhas (da idade da minha mãe) e para os netos viverem sem nunca terem de trabalhar. Curiosamente este senhor morreu esmagado pelo próprio carro, quando este, destravado ia rua abaixo e ele foi a correr tentando sustê-lo com o seu corpo. E ele, que era tão rico, acabou esmagado contra uma parede. Não é irónico? Alguém tão riquíssimo que morre a tentar salvar algo que não lhe fazia diferença nenhuma? Mais, quase todos esses irmãos, acabaram por morrer cedo, igualmente de acidentes estúpidos.

Mas se esta afirmação nunca fez muito sentido, então hoje em dia nem se fala! Hoje em dia, cada vez mais o trabalho é mal pago. A título de exemplo, estamos em 2017 e eu tenho um salário inferior ao que ganhava em 2008. Será isto razoável? Não, não é porque o custo de vida está cada vez mais caro. A eletricidade está mais cara; a água está mais cara; o gás está mais caro; a internet está cada vez mais cara. Os transportes estão cada vez mais caros. Tudo está cada vez mais caro, mas os salários não acompanham. Porquê? E o que vejo é que, mesmo com muitos estudos, as pessoas ganham cada vez menos dinheiro, quando comparado ao que se ganhava há décadas atrás. É preciso empobrecer, gritam-nos os radicais-capitalistas! É preciso que os trabalhadores ganhem cada vez menos, para que os ricos ganhem cada vez mais! 

"Se fosse hoje nunca que tinha feito um curso superior. Passas tantos anos a queimar a pestana, para depois não arranjares trabalho na tua área e a ganhar uma porcaria". Quem mo disse foi uma ex-colega,  licenciada em engenharia química de 24 anos.

Antigamente, como a maioria das pessoas não tinha dinheiro para poder pôr os filhos a estudar (nunca que haverá igualdade de oportunidades) no máximo as pessoas ficavam-se pela instrução primária. Esse mérito de poder estudar ia para os filhos das gentes endinheiradas, que tinham sempre muitos escravos, que trabalhavam 16 horas por dia,  por uma bucha de pão e por uma malga de vinho. Mas hoje em dia, felizmente, que as pessoas já podem estudar mais um bocadinho, apesar de, não raras vezes com muito esforço.

E se agora muito mais gente estuda, a oferta, ainda por cima com taxas de desemprego altíssimas, o que não falta às empresas é por onde escolher, pagando sempre o mínimo possível, muitas vezes optando até por recrutar estagiários e nunca colocando as pessoas nos quadros da empresa. E nunca como hoje o emprego foi precário. Quase que o anterior governo tornou o despedimento livre ao sabor dos desmandos dos patrões, como se as pessoas fossem uma mercadoria.



E cada vez menos é a estudar ou a ser honesto que se vai longe. O Relvas chegou a doutor sem nunca sequer ter posto os pés numa universidade. Em Portugal (talvez como na maioria dos outros países é assim) chega-se longe a mentir, a aldrabar, a corromper. Chega-se longe fazendo-se rodear das pessoas certas nos sítios certos que fazem as coisas acontecer.

Foi precisamente isso que Eça de Queiroz escreveu n' As Farpas de Novembro de 1871, tendo sido preterido num concurso público para o Consulado da Baía: "Não estudes, corrompe! Não sejas digno, sê hábil! "

Portanto, se quereis dar uma boa vida aos vossos filhos, não os mandeis estudar porque, muito provavelmente, acabarão os dias a ter um trabalho para o qual não precisavam de nenhum curso superior, e a ganhar um salário de merda. Se quereis mesmo dar um bom futuro aos vossos filhos ensinai-os a mentir e a corromper. Por certo que terão o futuro garantido. 

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Mulher Virgem Extra

Esta semana, enquanto conduzia no caminho do trabalho para casa, apanhei o programa À volta dos Livros da Antena 1 e que versava sobre o livro "A Vida Virgem Extra" de Cláudia Vilax. 



O que é que distingue este azeite virgem extra dos outros, Cláudia?

O azeite virgem extra é um azeite que tem melhor qualidade. É um azeite que não tem defeitos e só tem qualidades. E quando é um azeite que é bem feito de verdade, é um azeite cheio de nutrientes bons que nos fazem bem à nossa saúde. Como por exemplo a Vitamina E que, hoje em dia, está provado cientificamente, é muito melhor ingeri-la através dos alimentos do que artificialmente através de suplementos vitamínicos; tem também ácidos gordos monoinsaturados que são essenciais à nossa saúde; outros anti-oxidantes além da Vitamina E; têm vitaminas lipossolúveis; O azeite é de facto algo que nos faz muito bem. 

E fiquei a pensar nisto no que é que distingue o melhor azeite dos outros. Com que então o azeite virgem extra só tem qualidades e nenhuns defeitos e que só nos faz bem à saúde? Mmm.. é isto! O que eu preciso é de uma mulher como o azeite! Mas tem de ser uma Mulher Virgem Extra! 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O Drama e o Horror de Sair com um Anti Social como EU!



Acabas de me conhecer, lógico, o homem perfeito, mas não estavas preparada para o pior pesadelo da tua vida. Não, eu não estou no Facebook, nem sou muito de redes sociais. Não me vais encontrar em sítio nenhum da Internet. Nem vais poder pesquisar fotografias das minhas ex-namoradas. E a única forma que vais ter de ver o gémeo grande é mesmo ao vivo e a cores. Ah pois é! E quando tirares uma fotografia espetacular das tuas mamas, e ma quiseres mostrar, não!, não vais ter para onde mandar!

E não vais ter forma de saber o que eu fiz no verão passado porque não está no Facebook! Eu não tenho pegada digital! Ok, na verdade eu tive um Myspace, mas lá ninguém usava o seu nome próprio, por isso estás fodida na mesma!

Quem sou eu? Bom, se calhar não existo! Ah ah ah (gargalhada maléfica!)
E se fores cuscar os meus albuns de fotografias vais perceber que lá não existem caixas de comentários e nunca vais saber o que as pessoas acham de mim! 

Se calhar eu não sou quem digo ser e só te quero envolver romanticamente. Na volta até sou um psicopata! E vai ter medo, muito medo! Nem sequer tens como saber o que eu trouxe para comer ao almoço, a menos que, me perguntes pessoalmente! Ah ah ah!!
Ok, eu existo, mas sou um Anti-social do caralho!!

domingo, 5 de novembro de 2017

Para Ti Meu Amor



Poema de amor, escrito por Mário Soares a Maria Barroso em 1962, quando se encontrava detido na prisão do Aljube.


Telecrã

Saí do centro comercial em frente do Estádio do Dragão e, já depois de me terem perguntado se eu queria "Tickets?", dirigi-me para o carro que tinha ficado estacionado no exterior. Já dentro do carro e com os vidros fechados, um sujeito aparentando ser de etnia cigana, aproxima-se e começa-me a chatear, mostrando-me um telemóvel (ou telecrã como diz agora uma amiga minha que acabou de ler o 1984 do Orwell) e onde eu só reconheci a marca a prateado Samsung (lá está, uma marca que reconheço dos televisores), enquanto que o vou ignorando. 

Até que, perante tanta insistência, tenho mesmo de lhe dizer:
"Ó amigo, isso não vale nada. Eu tenho um telemóvel muito melhor que esse. Não quero isso para nada". E enquanto isso, vou ao bolso e mostro-lhe o meu Nokia 6630 de 2004 e digo-lhe: "Isto é que é que uma máquina!"

Ele riu-se e eu arranquei e fui-me embora.