quarta-feira, 26 de julho de 2017

A Jurisprudência Taliban dos Tribunais Portugueses

A justiça deveria ser justa e deveria ser igual para todos. Deveria ser igual tanto para ricos e pobres, como para homens e mulheres. Mas claro que não é! Há a justiça para o homem que rouba um polvo e um shampô no Fisco Doce, e depois há a justiça que, depois de andar oito anos a investigar o caso dos submarinos comprados pelo Paulinho das Feiras (que há muito deveria estar atrás das grades) acaba por arquivar o processo. Enquanto isso na Alemanha quem os vendeu está preso, tal como os políticos que os compraram na Grécia. Aqui quase ninguém vai preso, especialmente se é rico ou político, ou então, prende-se arbitrariamente primeiro para investigar depois.

Mas ninguém precisa fazer um curso de Direito para saber que as pessoas devem ser tratadas por igual, independentemente do seu sexo, raça, cor língua, religião ou opinião política. Estou em crer que  todos aprendemos na escolinha a Declaração dos Direitos Humanos.


Mas em Portugal, um coletivo de juízes (dois homens e uma mulher) do Supremo Tribunal Administrativo reduziu o valor da indemnização que a Maternidade Alfredo da Costa teria de pagar a uma mulher (menos 61 mil euros) devido a negligência médica, fruto de uma operação mal sucedida que ali  realizou há 19 anos, com o argumento brilhante que "já tinha mais de 50 anos e dois filhos, uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens". 

E hoje de manhã, como todas as manhãs, tenho por hábito passar pelas capas dos jornais, e dar uma vista de olhos no site do The Guardian e foi com regozijo que abri uma notícia que dizia "Para o Tribunal Europeu, o sexo é igualmente importante nas mulheres mais velhas". E as minhas suspeitas confirmavam-se, a notícia do site do jornal inglês, referia-se ao sucedido em Portugal. E hoje, a justiça portuguesa é motivo de chacota por todo o mundo graças e estes juízes iluminados.

E o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos europeu considerou os juízes portugueses culpados de descriminação sexual e de género:

"A igualdade de género ainda é um objectivo a atingir, e uma das formas de o fazer é abordando as causas profundas da desigualdade gerada pelos estereótipos", pode ler-se na sentença.


E o que eu pergunto é: afinal que merda de juízes é nós temos em Portugal? Quem é que anda a formar esta gentalha? O que é que esta gente afinal aprende nas universidades? O que é que estes juízes sabem da vida? 

É que o que transparece, é que esta gente tomou uma decisão, como de uma conversa de café se tratasse. "Ah, esta mulher já teve dois filhos, já não precisa foder. Já cumpriu a sua função. Já passou do prazo. Que vá mas é para a cozinha e que cuide dos filhos." 
Tomaram uma decisão ridícula, com argumentos sem qualquer base científica que os sustente!

Estamos a falar de uma decisão que demorou 19 anos! Não há justiça quando só se toma uma decisão 19 anos depois. E depois os juízes não têm de fazer juízos de valor, nem têm de usar argumentos que poderiam muito bem sair da boca de um qualquer bêbado machista e misógino em plena conversa de café. Em Portugal a justiça não é justa, e infelizmente os juízes fazem jurisprudência à moda dos Taliban.


A Viagem

Nunca fui de me apaixonar facilmente. Talvez isso também tenha a ver com o facto de eu não ser a pessoa-tipo por quem facilmente os outros se apaixonam. Ou talvez uma coisa não tenha nada a ver com a outra, afinal, o facto de nos apaixonarmos por alguém nada tem a ver com os outros se apaixonarem ou não por nós. Mas ainda assim, nestes jogos, há sempre um que corre mais atrás do outro e o outro pode-se deixar apanhar, pode fugir, pode ficar no seu canto, ou pode simplesmente aceitar jogar o jogo e ver no que a coisa vai dar. 

Se eu corri mais ou deixei-me apanhar mais vezes? Não sei, mas acho que a coisa deve estar mais ou menos a fazer. Acho que na maior parte das vezes nem nós mesmos sabemos se estamos a correr atrás ou se estão a correr atrás de nós. Simplesmente, às vezes, é bom ter uma companhia ao longo do caminho, e não sabemos muito bem se essa companhia vai chegar ao fim da viagem ou se vai sair umas estações antes.  

As viagens são longas. E muitos são os caminhos que cada pessoa percorre e os diferentes caminhos de diferentes e desconhecidas pessoas cruzam-se constantemente, muitas vezes sem sequer esperarmos ou estarmos predispostos para que nos acompanhem. Eu não sei se é karma, se é destino ou nenhum dos dois, mas ainda assim, somos sempre nós que decidimos se determinada pessoa pode entrar nas nossas vidas ou não. E se entra, somos sempre nós que decidimos caminhar junto com ela, ou quando é que ela terá de seguir a sua viagem sozinha. 

Comigo, infelizmente, nesta longa viagem que é a vida, tem-me acontecido inúmeras vezes de eu cruzar no caminho de outras pessoas, que também elas andam nas suas viagens e, muitas vezes sem nos apercebermos, decidimos seguir viagem juntos. Mas digo infelizmente, porque algum tempo depois, passe muito ou pouco tempo, muitas acabam por embarcar por outras linhas e decidem não me acompanhar.

Via Pinterest
No que ao amor diz respeito, é preciso (pelo menos para mim é) que eu caminhe durante um bom tempo sozinho até que deixe alguém acompanhar-me. Para mim tem sempre sido preciso tempo. Muito tempo. Não é tempo para esquecer porque eu nunca vou esquecer, mas é preciso que o tempo cicatrize e me cure de alguma forma. E não é de uma enfermeira que eu preciso, ainda que brincar aos médicos pudesse ser engraçado. Mas é mesmo de tempo, só de tempo que eu preciso. 

Lembro-me perfeitamente que já tinha passado muito tempo, quando certa noite, num bar do Porto, uma jovem que lá trabalhava a recolher copos, que eu tinha acabado de conhecer (apesar de termos combinado qualquer coisa num fórum da net) e que já estaria bem bebida, de repente, começa-me a meter a mão, por dentro da roupa. Parecia que era tudo dela. Mas não era. Aquilo além de me causar arrepio, deixou-me um pouco desconfortável. Tanto tempo depois, era a primeira vez que uma mulher me punha a mão no pelo. Literalmente. Até então, durante muitos anos, eu só havia sido tocado pelas mesmas mãos que eu tão bem sabia como me tocavam. E aquelas eram umas mãos estranhas para mim. No fundo, senti-me até como se estivesse a trair. Evidentemente que não a mulher que há muito já havia decidido seguir viagem por outra linha, rumo a um novo destino, na companhia de outra pessoa, mas era como se me estivesse a trair a mim. Como se traísse o sentimento por aquela pessoa,e que estava tão enraizado dentro de mim. Era como se eu não pudesse. E eu podia. Podia tudo que eu quisesse com aquela jovem alcoolicamente com o pito aos saltos. Podia mesmo tudo.

E o tempo vai passando e novas pessoas cruzam o nosso caminho e interagem connosco. Ao mesmo tempo, a estação daquela pessoa que antes caminhava connosco e desceu para seguir viagem sem nós fica cada vez mais para trás, mais distante. Às vezes até é confuso.Temos saudades do passado e ao mesmo tempo saudades do presente. Mas o novo começa a ficar cada vez mais presente nas nossas vidas, dia após dia, após dia. Passado e presente distanciam-se lentamente. Novas e frágeis ilusões se criam, muitas vezes para se desmoronarem mais à frente de novo. Mas seja como for, nós temos sempre de prosseguir viagem...

sábado, 22 de julho de 2017

Um Ginásio é um Sítio que Cheira a Chulé

Até ontem, eu nunca tinha entrado num ginásio. Nem numa sala de judo, de boxe ou num ringue de hóquei em patins. "Isto é tudo muito old-school" disseram-me no ginásio.  E de facto reparei que aquelas máquinas diabólicas que estavam naquele ginásio já deviam ser quase tão antigas como as G3 portuguesas usadas na guerra colonial! 

Quando desconhecemos determinada coisa, como eu desconhecia (e ainda desconheço) o que é um ginásio, vamos criando uma imagem (certa ou errada) baseado em tudo aquilo que ouvimos acerca. E até hoje o que eu sempre achei, é que um ginásio é um sítio onde ninguém gosta de ir para fazer o que se lá faz. A ideia que tenho (e que pode ser errada) é que as pessoas pagam uma mensalidade, que automaticamente sai da conta bancária, para se obrigarem a fazer algum exercício físico que na verdade não gostam de fazer, porque se gostassem iam correr, andar de bicicleta, ou compravam até uma ou duas máquinas de treino para ter e usar confortavelmente em casa quando lhes apetecesse.

Então, para se obrigarem a fazer algo que detestam, as pessoas pagam bom dinheiro, todos os meses, para se obrigarem a fazer exercício. Porque se não mais lá puserem os pés, o dinheiro continuará a sair e ficam com a consciência pesada, e lá vão elas, quando calha, uma ou duas vezes por semana, forçarem-se a fazer algo que não gostam.
E isto só pode ser um negócio genial, afinal, vende-se algo que as pessoas não precisam, que não gostam de fazer, mas só porque é moda e fica bem fazer, lá vão para os ginásios fazer o que não gostam de fazer e que podiam fazer sem gastar um tostão.


E até ontem nunca tinha entrado num ginásio, numa sala de judo, de boxe nem num ringue de hóquei em patins.

Lá, vi diversos quadros nas diferentes salas. Alguém supostamente famoso, frases motivacionais e desenhos dos músculos do corpo humano. No chão da sala de judo, placas azuis, que pareciam peças de um puzzle gigante a cobrir todo o espaço. E na sala de boxe estavam pendurados vários sacos. Não pude resistir, apalpei-os e dei dois ou três golpes com as mãos. Mas achei mais interessante experimentar com os pés. E depois de pontapear vários sacos a meia altura, dei um pontapé no saco mais pequeno, todo preto, e o resultado foi achar que podia ter partido o pé de tão duro que aquilo era!

Até ontem nunca tinha entrado num ginásio, mas agora já fiquei a saber um pouquinho melhor como é. E uma das coisas que pensei foi: um ginásio é um sítio que cheira a chulé.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Sonhos Destruídos


"Crescer e tornarmo-nos adultos é ver todos os nossos sonhos serem destruídos". 
(N.)

Para o Meu Anjo Caído


As I draw up my breath,
And silver fills my eyes.
I kiss her still,
For she will never rise.

On my weak body,
Lays her dying hand.
Through those meadows of Heaven,
Where we ran.

Like a thief in the night,
The wind blows so light.
It wars with my tears,
That won't dry for many years.

"Loves golden arrow
At her should have fled,
And not Deaths ebon dart
To strike her dead."


For My Fallen Angel / Like Gods of the Sun / My Dying Bride (1996)

domingo, 16 de julho de 2017

Tragédias? Como era no governo de Passos Coelho?!

Tenho ouvido, aqui e ali, com grande surpresa, a propósito da tragédia de Pedrógão Grande, algumas declarações dos dirigentes dos partidos de direita, criticando a atuação dos atuais ministros, quando ainda há pouco mais de um ano eram eles que estavam na cadeira de poder. 

E a minha pergunta é: será que já ninguém se lembra do que se disse no governo de Passos Coelho no Outono de 2015? Uma grande inundação abateu-se sobre Albufeira, com grandes prejuízos e uma vítima mortal a lamentar.



No meio de todo aquele cenário, eis que chega o ministro da Administração Interna Calvão da Silva e profere as seguintes pérolas:

“Deus nem sempre é amigo e de vez em quando dá-nos a provação”

Sobre a vítima mortal, disse que o homem de 79 anos "Entregou-se a Deus" e "com certeza que lhe reserva um lugar adequado".



E segundo ele, as inundações no Algarve deveram-se a uma "fúria demoníaca", a um “ato de Deus, um "act of God" como se diz numa língua estrangeira que a maioria das pessoas desconhece. 

E sobre quem ficou com prejuízos avultados, as pessoas tinham era que ter um seguro:

"Sei o que é ser pobre e tentar ser alguém. A mobilidade social funciona para todos e todos temos de ter a nossa responsabilidade também no sentido de dizer ‘eu tenho um negócio, vou fazer o meu seguro, para que, se o infortúnio me bater à porta, tenha valido a pena pagar o prémio"


Em face disto, aos olhos dos partidos de direita, ficámos a saber que o incêndio de Pedrógão Grande deveu-se à ira de Deus ou à fúria do Diabo. Um dos dois, tanto faz! No fundo devíamos era ficar felizes porque aquelas pessoas todas entregaram-se a Deus, mas Ele reserva-lhes um lugar melhor! Com jeitinho os familiares ainda deviam era pagar! 

"Se tem um familiar do agregado familiar que se "entregou a Deus" e foi para o Hotel Celestial, não se esqueça de declarar no IRS e pagar o impostozinho"!

E quem ficou sem casa? Bom, certamente que a maioria das pessoas guardou um dinheirinho para ter um seguro que cubra os prejuízos. Quem não tinha? Olha, azar. É a vida... (escrever aqui outra expressão religiosa qualquer)!

Estamos conversados sobre a sensibilidade dos fascizóides. 

Café Frio

Ora bem, depois de em 2016 a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter vindo alertar que beber café (quente) provocava cancro, e agora, apenas dois anos depois, já vir dizer, apresentando um estudo que, supostamente, o comprova, que quem bebe mais cafés vive mais anos, então só posso concluir uma coisa:
Há por aí muita gente a beber muitos cafés frios! Ou então beber café quente provoca cancros que prolongam a vida, mas até do que ser saudável e não ter cancros!


"Por favor, era um cafézinho... mas numa chávena bem gelada!"