sábado, 18 de novembro de 2017

Medo. Tenham Muito Medo...

Acreditar no Destino



Mulher de coragem a sua mãe, porque muitas vezes no campo arriscou a vida, passou comida através da cerca eletrificada, comida e medicamentos a outro preso, assumiu a culpa pelo desaparecimento de alguma comida, e correu sempre risco de vida...

Sim. A minha mãe é uma mulher muito corajosa e eu tento analisar isso no livro, e eu acho que grande parte dessa coragem se deve ao facto de ela acreditar completamente no destino. Então ela nunca se preocupa "ah eu vou morrer" ou "eu vou apanhar alguma doença"ou "vai acontecer alguma coisa comigo". Ela entrega a vida dela para o destino e eu acredito que é isso que lhe confere tanta coragem e que fez também com que ela conseguisse sobreviver, porque ela não ficava se poupando, e privando de uma forma egoísta ou vaidosa. Ela sempre soube ser humilde e aceitar as coisas como elas vinham, e até hoje ela é assim. 

Noemi Jaffe, autora do livro "O que os cegos estão sonhando?" no programa À volta dos livros" de 16 de Novembro na Antena 1.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Gostava de ter sido Eu a escrever isto:



Márcio, deixa eu te contar uma coisa:
Uma vez eu estava andando na rua, e aí do nada apareceu um maluco com uma Bíblia na mão, e ele tacou o livro assim, com toda a força, na minha direção. E aquela Bíblia ia tendo atingido diretamente o meu coração..
- Sabe qual foi a minha sorte?
É que eu estava com um casaquinho, tipo um blazer desses que tem um bolsinho assim, e dentro do bolso tinha uma bala de revolver. Aquela Bíblia teria atingido diretamente o meu coração se não fosse aquela bala. Acredita?

(da série País Irmão)

E Nós? Estaremos preparados para quando a chuva chegar?


Na Grécia morreram, pelo menos quinze pessoas na sequência de uma semana de chuvas torrenciais. Em Portugal, por agora fala-se de seca extrema. Mas estaremos preparados para quando a chuva chegar? É que, tal como é no Inverno que se previnem os incêndios é no tempo seco que se devem prevenir as inundações...

domingo, 12 de novembro de 2017

A Armada Turística Portuguesa




Barcos Fernão de Magalhães, Infante D. Henrique e Vasco da Gama no Rio Douro. Ponte do Freixo, Ponte São João e Ponte Dona Maria. 

Gondomar: A Cidade Europeia do Desporto que Não Gosta de Ciclovias

Em Gondomar inaugurou-se a primeira ciclovia junto ao Rio Douro em 2009. É um percurso de cerca de três quilómetros, que vai desde o Palácio do Freixo até Gramido. 

Era uma via com alguns metros de largura, dividida a meio, em que a metade do lado do rio era de uso de quem pretende caminhar ou passear, enquanto que, a parte do lado da estrada marginal, que estava pintada de cor mais escura, até para se perceber bem que era uma ciclovia, era de uso exclusivo de quem quisesse andar de bicicleta. Este espaço de usufruto, bastante aprazível, também rapidamente foi vandalizado. As casas de banho até foram fechadas, e roubaram de tudo um pouco, desde torneiras, até, pasme-se, os corrimões de aço inox. 

É uma zona que sempre fui visitando, se bem que, cedo, comecei a evitar de andar de bicicleta. Não há respeito. As pessoas vão passear e não respeitam nada nem ninguém. A ciclovia sempre esteve bem sinalizada mas ninguém respeita nada. Se as pessoas não respeitam os outros quando andam de carro nas estradas, iam agora respeitar uma sinalização num passeio? Era o que havia de faltar!

Se for uma família de quatro ou cinco pessoas a passear, pois têm de ir os quatro ou cinco parolos, lado-a-lado, a ocupar toda a largura do passeio, estando-se verdadeiramente a cagar para o que aquilo é. Então, já sabendo de antemão da ocorrência deste tipo de situações desagradáveis, comecei a evitar por lá andar de bicicleta, principalmente ao domingo, quando grandes multidões de pessoas por ali se juntam. 


No entanto hoje, já depois de ter andado na ciclovia de Oliveira do Douro, bem menos frequentada, apesar dos mesmos parolos que têm os mesmos comportamentos, na vinda para casa acabei mesmo por estacionar o carro, e ir dar mais umas quantas voltas por ali, servindo-me de todo aquele maralhal de pessoas, como prova de obstáculos! E na verdade aquilo até dá alguma adrenalina, contornar toda aquela gente, como se fossem pinos de obstáculos!

Mas qual não foi o meu espanto quando pude constatar a nova sinalização que ali meteram! Como a cor da ciclovia entretanto desapareceu, a autarquia deve então ter entendido que seria bem mais fácil acabar com a ciclovia e colocar vários sinais ao longo do percurso dizendo que os peões têm prioridade!! No entanto, o ridículo da situação é que, temos agora um enorme passeio, dividido ao meio, onde um ciclista não sabe por onde andar. É pela esquerda ou pela direita? Não interessa. O que interessa é que os peões têm sempre prioridade!

Gondomar, para quem não sabe, é neste ano de 2017 Cidade Europeia do Desporto. Ironicamente ficamos agora a saber, que esta cidade do desporto não gosta de ciclovias. Prefere os parolos que ocupam as ciclovias todas. Lamentável. 

A Perfeição e o Desastre


A perfeição é isto. Estacionar a um fio de cabelo da parede. Mas convém termos presente que a perfeição também está, muitas vezes, a um fio de cabelo do desastre. E por alguma coisa se diz que o ótimo é inimigo do bom. 

sábado, 11 de novembro de 2017

Não estudes, Corrompe!

Querido leitor: 
Nunca penses servir o teu país com a tua inteligência, 
e para isso em estudar, em trabalhar, em pensar! 
Não estudes, corrompe! Não sejas digno, sê hábil! 
E, sobretudo, nunca faças um concurso; 
ou quando o fizeres,
 em lugar de pôr no papel que está diante de ti
 o resultado de um ano de trabalho, de estudo, escreve simplesmente:
 sou influente no círculo tal e não me façam repetir duas vezes!
(Eça de Queiroz / As Farpas / 1871)


Quando eu era criança, ouvia muitas vezes dizer que era preciso estudar para se ser alguém na vida. Que quem não estudava nunca que iria sair da cepa torta. Queres estudar ou ir carregar baldes de massa? Mas hoje quando penso nisso, acho que é uma barbaridade! Uma indecência! A mentirem descaradamente às crianças logo desde pequenas. Até porque, vamos lá ver uma coisa, o que não falta para aí, é gente a trabalhar na construção civil e ganhar bem mais que licenciados! Uma empregada de limpeza ganha hoje, sem grande dificuldade, 7€ à hora, que é bem mais do que muito licenciado ganha, muitas vezes a dobrar roupa numa loja de centro comercial. 

E do que eu tenho visto, nunca foi bem assim como dizem. Aliás, desde miúdo que ouço falar de gente da minha aldeia, os "brasileiros", que foram para o Brasil  e que em poucos anos ficaram muito ricos. Conta-se que eram donos de ruas inteiras. Mas certamente que não ficaram ricos com a ajuda dos poucos estudos que tinham. E desconfio até, que não ficaram ricos a suar. Eu pelo menos nunca vi ninguém ficar rico de um dia para o outro graças ao esforço físico. E neste caso, até era público, pois uma dessas pessoas que enriqueceu contava que tinha tanto dinheiro, que dava para as suas duas filhas (da idade da minha mãe) e para os netos viverem sem nunca terem de trabalhar. Curiosamente este senhor morreu esmagado pelo próprio carro, quando este, destravado ia rua abaixo e ele foi a correr tentando sustê-lo com o seu corpo. E ele, que era tão rico, acabou esmagado contra uma parede. Não é irónico? Alguém tão riquíssimo que morre a tentar salvar algo que não lhe fazia diferença nenhuma? Mais, quase todos esses irmãos, acabaram por morrer cedo, igualmente de acidentes estúpidos.

Mas se esta afirmação nunca fez muito sentido, então hoje em dia nem se fala! Hoje em dia, cada vez mais o trabalho é mal pago. A título de exemplo, estamos em 2017 e eu tenho um salário inferior ao que ganhava em 2008. Será isto razoável? Não, não é porque o custo de vida está cada vez mais caro. A eletricidade está mais cara; a água está mais cara; o gás está mais caro; a internet está cada vez mais cara. Os transportes estão cada vez mais caros. Tudo está cada vez mais caro, mas os salários não acompanham. Porquê? E o que vejo é que, mesmo com muitos estudos, as pessoas ganham cada vez menos dinheiro, quando comparado ao que se ganhava há décadas atrás. É preciso empobrecer, gritam-nos os radicais-capitalistas! É preciso que os trabalhadores ganhem cada vez menos, para que os ricos ganhem cada vez mais! 

"Se fosse hoje nunca que tinha feito um curso superior. Passas tantos anos a queimar a pestana, para depois não arranjares trabalho na tua área e a ganhar uma porcaria". Quem mo disse foi uma ex-colega,  licenciada em engenharia química de 24 anos.

Antigamente, como a maioria das pessoas não tinha dinheiro para poder pôr os filhos a estudar (nunca que haverá igualdade de oportunidades) no máximo as pessoas ficavam-se pela instrução primária. Esse mérito de poder estudar ia para os filhos das gentes endinheiradas, que tinham sempre muitos escravos, que trabalhavam 16 horas por dia,  por uma bucha de pão e por uma malga de vinho. Mas hoje em dia, felizmente, que as pessoas já podem estudar mais um bocadinho, apesar de, não raras vezes com muito esforço.

E se agora muito mais gente estuda, a oferta, ainda por cima com taxas de desemprego altíssimas, o que não falta às empresas é por onde escolher, pagando sempre o mínimo possível, muitas vezes optando até por recrutar estagiários e nunca colocando as pessoas nos quadros da empresa. E nunca como hoje o emprego foi precário. Quase que o anterior governo tornou o despedimento livre ao sabor dos desmandos dos patrões, como se as pessoas fossem uma mercadoria.



E cada vez menos é a estudar ou a ser honesto que se vai longe. O Relvas chegou a doutor sem nunca sequer ter posto os pés numa universidade. Em Portugal (talvez como na maioria dos outros países é assim) chega-se longe a mentir, a aldrabar, a corromper. Chega-se longe fazendo-se rodear das pessoas certas nos sítios certos que fazem as coisas acontecer.

Foi precisamente isso que Eça de Queiroz escreveu n' As Farpas de Novembro de 1871, tendo sido preterido num concurso público para o Consulado da Baía: "Não estudes, corrompe! Não sejas digno, sê hábil! "

Portanto, se quereis dar uma boa vida aos vossos filhos, não os mandeis estudar porque, muito provavelmente, acabarão os dias a ter um trabalho para o qual não precisavam de nenhum curso superior, e a ganhar um salário de merda. Se quereis mesmo dar um bom futuro aos vossos filhos ensinai-os a mentir e a corromper. Por certo que terão o futuro garantido.