sábado, 26 de maio de 2018

O Pragmatismo Chegou ao Amor

Agora que já fiz a digestão do meu próprio livro, eu acho que o meu livro e os últimos livros que eu tenho escrito, são sobre a nossa incapacidade de amar. Não é só azar não é só incompatibilidade de feitios... Não. É que acabaram algumas coisas que antes eram sagradas. E ainda bem que já não são como a renúncia, a entrega, a dádiva o amor incondicional, o amor unilateral que acontecia muito no caso das mulheres, etc. O próprio sentido de sacrifício. Isso tudo está completamente arredado da nossa vida do quotidiano... O pragmatismo chegou ao amor.

No caso deste livro ele vive no Porto ela vive em Lisboa já não dá muito jeito. E dantes tinha de haver diligências que levavam uma carta ao fim de seis meses, de um amante que estava embarcadiço ou não sei quê. Pronto. Hoje em dia há todas as facilidades. Podemos falar ao minuto com quem estiver na Austrália mesmo assim o amor não se aguenta com muitas dificuldades. 

Isto é a minha última descoberta, que parece uma paliçada, e que eu não acho que seja. Eu tenho três casamentos falhados, e tenho uma tendência universal de dizer: "foi azar". Não foi azar porquê? Primeiro porque isto é um bocadinho a história da Cinderela ao contrário. Tens um sapato que servia e é aquela a amada. E aqui é: "nós temos que ter o mesmo sapato". O sapato está um bocadinho apertado já não andamos bem;  se está largo já andamos como umas patas. Portanto, a chinela para o nosso pé é das coisas mais raras e difíceis de conseguir. É como acertar no Euromilhões. Ou desromantizamos  a hipótese de termos ao virar da esquina uma pessoa que seja a chinela do nosso pé, e percebemos que quando isso acontece, é aí sim, uma bênção extraordinária que temos que honrar, ou não nos vamos sentir frustrados quando cada vez que um sapato começar a apertar ou a alargar. Basicamente é a nossa incapacidade de amar. 


Rita Ferro, a propósito do seu último livro "Um amante no Porto" no programa "À volta dos livros". 

No Dia em que Te Foste Embora...



The day you went away
You had to screw me over
I guess you didn't know
All the stuff you left me with
Is way too much to handle...



"Saturnine" /  The Gathering (2004)

Conversas Improváveis (27) - CouchPinanço

Olha, que é que achas de CouchSurfing?

Não sei... ficas a dormir no sofá de alguém que não conheces...
O Çan fazia isso, couchsurfing.
Mas era mais CouchPinanço.


Imagem emprestada da net

Coisas que Não me Perguntariam se Eu fosse Chinês

Tu és filho único?


Imagem emprestada da net

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Comprar um Livro só pela Primeira Frase


- O nosso amor durará um ano. 
- Ainda?
Um ano, contando tudo que já nos aturamos.



Há quem compre um livro pela capa... Pode-se dizer que eu comprei pela primeira frase. Mas também não é tanto assim. Sim, nunca li nada de Pitigrilli, mas conheço-lhe ao menos uma das frases mais conhecidas:

"Estatística: a ciência que diz que se eu comi um frango e tu não comeste nenhum, teremos comido, em média, meio frango cada um."

Daqui por uns tempos talvez lhe conheça a escrita. 


terça-feira, 22 de maio de 2018

A Casa dos Ladrões

De mapa na mão acabava de chegar à praça do Jardim do Príncipe Real. Olho para um lado, olho para o outro, e resolvo interpelar duas senhoras que estavam a conversar, sentadas num banco do jardim: 
- "Peço desculpa, é por esta rua que vou para o Jardim da Estrela"? 
Muito simpaticamente de imediato sorriram para mim e disseram que sim, que só tinha de seguir em frente, até ao Rato e depois virar para baixo. 
- E posso ir a pé ou é melhor apanhar um autocarro ou Metro?
Ah não, faz-se muito bem a pé, até nós (da nossa idade) fazemos!

Então lá fui eu, mas sempre a botar o olho no mapa. E comecei a pensar, por que é que precisaria ir até ao Rato (se ainda fosse até à Rata!) se podia já cortar caminho pela rua da Imprensa Nacional? Realmente cortei caminho, só que, depois acabei por seguir em frente pela mesma rua quando já deveria virado noutra, e acabei depois por ter de andar a subir, quando pelo caminho que as senhoras me indicaram era sempre a descer. Mas foi assim, meio sem querer, que de repente, e pela primeira vez, me deparei com a Casa dos Ladrões...

Palácio de São Bento - Assembleia da República

Pergunta Pertinente sobre os Incentivos às Empresas que vão para o Interior


domingo, 20 de maio de 2018

Todos te Dizem que tens o Cabelo Tão Comprido

Falamos tão pouco, cada vez menos, e é algo que não me deixa propriamente feliz. E eu sei que a ti, se calhar, ainda menos.

Mas ainda assim lá vamos orbitando, ainda que, sempre a boa distância de segurança, um em volta do outro. Ao menos isso... Mas agora é assim mais ou menos como aquelas setas nas autoestradas. Duas marcas é sinónimo de segurança, só uma é um perigo. Então, vamos sempre viajando, com pelo menos duas marcas, sempre bem visíveis, não vá ocorrer um qualquer acidente... Mas o que eu temo, e sei que tu também, é que a segurança nos vá afastando cada vez mais e mais, e aos poucos as duas marcas passem a três e depois a quatro, e de repente outros carros metem-se no meio de nós, e quando dermos conta perdemos o outro de vista...

(É muito curioso porque nem de propósito, reparei agora  nos versos de uma música da Céu que passava aqui no computador em modo automático:
"Ah, não existe coisa mais triste que ter paz
E se arrepender, e se conformar
E se proteger de um amor a mais")

Mas deixa-me confessar-te que achei enternecedor que me tivesse querido dizer, especificamente, que ias cortar o cabelo. E que todos te dizem que tens o cabelo tão comprido... E podias nem ter dito nada, afinal, eu não sabia se o tens espontado a cada dois meses, ou se nunca mais tinhas cortado desde a última vez que estivemos juntos. Mas fizeste questão de me dizer, que está comprido como nunca.

Mais do que me dares a informação, acho que na verdade quiseste mostrar-me que gostavas que eu o tivesse visto assim, tão comprido e volumoso como eu antes nunca tinha visto. Acho que ficarias orgulhosa de ti. E acho que deverias ficar! E tu sabes que eu iria gostar de o ver assim, ainda mais comprido, por isso me contaste.

Eu acho que tu sabes que eu não iria gostar menos de ti se decidisses cortá-lo curto... Eu também não gostaria que as pessoas (que contam) passassem a gostar mais de mim só porque cortei o meu cabelo,  só porque estou mais condizente a pseudo-norma-social-vigente. Mas todos nós temos gostos pessoais e a verdade é que, e eu nunca escondi, que gosto muito de ver as senhoras com o cabelo comprido.

E eu agora já sei que todos te dizem que tens o cabelo tão comprido. Eu, mais do que medir o comprimento do teu cabelo com os olhos gostaria era de te ver a ti. E de te dar um abraço apertado (mesmo correndo o risco de me partires duas costelas!). E de te passar a mão pela cabeça e pelos cabelos. E de te dizer que tinha tantas saudades tuas...